O início do catolicismo no arquipélago remonta a 1548, quando um jovem exilado que atendia pelo nome de Yajiro cruzou o caminho do maior missionário católico do Oriente, Francisco Xavier. O encontro ocorreu na atual Malásia e o japonês, encantado pela pregação do jesuíta, se dispôs a ajudá-lo em sua viagem ao Japão. Batizado como Paulo, ele serviu de guia e intérprete para Xavier. Mais do que isso, ele foi responsável pelo primeiro sistema de romanização da língua japonesa que se tem notícia.
"Sou a quarta geração de católicos na minha família. Ou seja, meus bisavós já seguiam a religião desde 1878. Tenho três irmãos que moram no Brasil, mas eu nunca fui para lá. Um deles, Haruo Sasaki, é padre. Não sou fervoroso em relação aos santos. Tenho um pequeno altar em casa onde faço as orações. É como se fosse um ‘butsudan’. Aqui em Hamamatsu, como o número de estrangeiros é grande, sempre há brasileiros nas missas."
Tadao Sasaki, 69 anos.
Tadao Sasaki, 69 anos.
Xavier conseguiu permissão do daimyô Takahisa Shimazu, o primeiro a levar armas de fogo ao Japão, para pregar o catolicismo em suas terras. A missão começou na porção sul do arquipélago. Os tempos eram de curiosidade. Os japoneses, que mal conheciam as terras além-mar, tinham os primeiros contatos com homens de cultura diferente. A disseminação do catolicismo foi surpreendentemente fácil. A evangelização continuou e em 1570 já havia cerca de 30 mil cristãos em uma missão formada por apenas 15 religiosos. Um ano antes, a primeira igreja era fundada em Nagasaki, a província mais católica do Japão.
Os missionários expandiram a conversão até chegar à capital da época, Miyako (atual Kyoto), onde foram proibidos pelos senhores feudais. Contratempos à parte, o catolicismo avançou em meio a um Estado fragmentado. No fim do século 16, a igreja já possuía 300 mil fiéis no Japão, mesmo sem contar com imposições de uma aristocracia ou de um governo religioso, como era o mais comum em outros países.
Mas, chegou um ponto em que a forte propagação da religião e as mudanças culturais começaram a incomodar os senhores feudais, sobretudo com a aliança dos jesuítas com o lendário samurai Nobunaga Oda. Ele foi um dos precursores da unificação de grande parte do Japão se utilizando de táticas de guerra inovadoras e armas de fogo. Com a morte de Nobunaga em 1582, a situação começou a complicar para os católicos.
"Vou à missa todas as semanas e rezo em casa em um altar. Meu marido é católico de nascimento e eu me converti há 30 anos. Quando era estudante, entrei em um colégio católico de Hamamatsu. Escolhi o cristianismo por achar nele o que as outras religiões não me ofereciam. Gosto do santo que leva o nome da igreja onde vou, São Francisco de Assis. Os japoneses, em geral, não costumam fazer pedidos aos santos para curar alguma doença ou conseguir casamento."
Shigeko Yamaguchi, 53 anos
Shigeko Yamaguchi, 53 anos
Hideyoshi Toyotomi sucedeu Oda e, em 1587, lançou um edital proibindo o Cristianismo no país, ordenando a saída de todos os missionários. Começava um período de perseguições cruéis. Chegou ao ponto de Toyotomi sentenciar à morte 24 cristãos da capital Miyako, em 1596. Em Nagasaki, 26 foram condenados como forma de alerta ao povo e marcaram o início do martírio.
Os católicos foram banidos do Japão até 1889, quando a revolução Meiji acabou com o xogunato e estabeleceu uma nova constituição que garantiu a liberdade religiosa. Os pequenos grupos que ainda existiam às sombras ressurgiram à luz e se reorganizaram, permanecendo até os dias de hoje. O arquipélago hoje possui 445 mil católicos nascidos lá e 406 mil imigrantes, na sua maioria brasileiros e filipinos, que seguem a religião. O mais curioso é que apesar da quantidade de santos e beatos, os japoneses parecem não adorá-los como é costume no Brasil. É provável que a ação do Vaticano em aumentar o número de santidades por lá não esteja dando os resultados esperados.
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