Movidas pelo neopaganismo de nossos dias, para o qual vale sobretudo o corpo e não a alma, pelo menos 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se, no ano passado, a operações plásticas. A estimativa é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em pesquisa realizada entre seus 4.000 associados. Detecta-se o aumento a cada ano de crianças e adolescentes dispostos a entrar na faca para ficar mais “bonitos”.
Há uma verdadeira erotização infantil induzida. O número de meninas de 10 a 14 anos, que tiveram filhos pela primeira vez, quase dobrou em 2000, em relação a 1991. Foram 20.632 crianças e adolescentes, segundo pesquisa do IBGE tendo como base o Censo 2002. Alarmante também é o fato de que outras 2.502 meninas já tinham filhos naquele ano, quando tiveram outro bebê.
O papel da mídia para se chegar a essa situação é analisado pelo jornalista Gilberto Dimenstein: “Há uma supervalorização da aparência. Seres anoréxicos e fúteis, quase inumanos, como Gisele Bündchen, são apresentados como padrão de beleza e de sucesso. A mídia, por sua vez, não se limita a fotografá-los, mas freqüentemente busca suas opiniões sobre os mais diversos temas, de política a transgênicos. Dissemina-se um culto à celebridade, que dá lugar ao surgimento de uma espécie de casta na sociedade, a casta dos ‘famosos’”.
Também a culpa dos pais é apontada pelo jornalista: “Pais abrem mão da condição de adultos, como se quisessem prolongar a adolescência. Não querem ser pais de seus filhos, mas amigos. Não cobram, não dão limites, não exigem. [...] O pai muito amigo é, porém, um candidato a futuro inimigo do filho” (“Folha de S. Paulo”, 8-5-05 e “Agência Estado”, 6-5-05).
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